segunda-feira, 30 de junho de 2008

Continuação do sem nome.

Bom, aqui está uma possivel continuação do conto sem nome, mas com o prometido twist. Conseguem adivinhar qual é o twist?

A frieza do abraço que não lhe deu, as mãos segurando-lhe os braços com uma delicadeza falsa. Não de quem a quer conter mas de quem a quer afastar. Os olhos frios e a piedade escusada mas fingida que não devia ser possível de quem a amou antes, a quem se entregou. As palavras iguais às que todos dizem quando não querem responsabilidades, culpas, partilha, dádiva, amor que implique mais que um. Tu também quiseste, devias ter tido cuidado. Sabias os riscos. Eu nunca te prometi nada. Compreendes? Eu não sinto por ti o que sentes por mim. Mas e nós... Adeus. O cair à terra depois de elevada ao céu na revelação de um sonho que nem sabia que tinha porque não tinha planeado.



Recolhe a casa e faz a música gritar alto para poder soltar urros de dor cobertos pelo som pesado de música metálica. E o vizinho que pensa no desespero do intérprete daquela canção que julgava só barulhenta mas sem sentimento e sem sentido.



Vai dormir. Tenta adormecer o que acabou de ouvir, de viver, de sentir. Abafar as lágrimas que lhe caem mais grossas e densas que os sorrisos tímidos de há pouco. Há tempo nenhum estava feliz e agora não.



O sono é agitado e não descansa. Precipita-se pela porta fora porque não suporta a opressão daquelas paredes. Sai com o carro e conduz que nem louca. Até passar pelo viaduto. De repente está em cima deste a mirar a paisagem e esta parece querer engoli-la. O mundo inteiro parece querer tragá-la porque quebrou com as regras que sabia existirem. Apontar-lhe o dedo, culpá-la. A cabeça a explodir. Os olhos inchados que nem conseguem ver direito de não poder mais chorar.



A tentação... seria tão fácil. Olha para baixo e vê o chão duro lá ao longe. Inspira, ganha coragem. Não consigo... respira mais uma vez e sem sentir as pernas que a levam por cima da protecção paira por cima desta e parece fazer uma dança em cima do muro. O equilíbrio instável desfaz-se e voa. Por uns segundos é livre de tudo menos da atracção pelo chão que se aproxima cada vez mais rapidamente. Um ruído seco, uma dor intensa e um fio de sangue que se transforma numa poça que nem a lua ilumina. Expira devagar para não voltar a inspirar... Inspira! Inspira muito fundo como quem volta à realidade do mundo dos vivos e acorda com o coração aos saltos e uma agonia no fundo do estômago. Quem transporta em si vida nova não pode pensar em morte. Todas as leis universais assim o dizem, pelo que acabou de cometer o seu primeiro erro como mãe. Afaga o ventre onde germina uma vida que ainda praticamente não se faz sentir. Mas está lá. Tudo não passou de um sonho. Mas qual das partes deste pesadelo não aconteceu?



A noite nem lua tem para simbolizar esperança e o dia ainda vem longe. Mas não é preciso: a maior luz está dentro de si e quando sair tudo ao seu redor iluminará e trará de novo alegria aos seus olhos inchados de chorar quem não vale uma lágrima.

3 comentários:

Abobrinha disse...

Mmmmm... a moça está a precisar de comprar sapatinhos. No mínimo! Dadas as circunstâncias, talvez uns rasos.

antonio disse...

O amor que nunca existiu, mas que deixou uma semente.

alf disse...

bem, bem, não está nada mal não senhora! interessante a maneira como levaste a coisa ao climax e saíste dele, deixando a história de novo «com vida»