quarta-feira, 14 de maio de 2008

O inocente!

Nunca acredites em alma pura de sentimentos...
Os sentimentos nunca são assim tão brancos puros.
Nem sequer naqueles determinados momentos!

Não acredites tanto na inocência, ó inocente!
Nem mesmo a melhor das almas é assim tão doce,
Todos temos um lado cruel, louco e demente!

Por isso não acredites quando choro desalmada,
Quanto digo com voz carente, que não é a ti que culpo.
Todos mentem, sem remorsos e de forma descarada.

Mentiras dolorosas, comentários cruéis e insultuosos.
Olhares de frio e veneno cuspido entre dentes caninos.
Frases e escritos, escritos em caneta e punhos furiosos.

Não acredites agora tu ó pio firme e tolo inocente,
Que é diferente neste momento mais ímpio, o mais impuro.
Posso estar a mentira agora, posso ter mentido sempre...

8 comentários:

antonio disse...

Eu não tenho ilusões sobre o fascinante universo feminino(1)... mas acredito nas almas puras, até porque o mal nos toca a todos de forma diferente...

(1) Espero que o Josh não leia isto…

Perla disse...

Será?
Pois assim não sei se acredite...

Escuto estremunhada
Os gritos do pavão
Nem sei se estou acordada
Mas parece-me que não
É ainda madrugada
E ontem fiz serão...

Bjs

joshua disse...

A nossa alma é poligonal. Há por aí blogues que só visitam os colegas assépticos, os colegas construtivos, os colegas que nunca se rasgam e expõem na dor que deveras sentem e que só pela escrita transformarão em fingimento. Gente tão convencional, tão convencional, que me dói que se não solidarizem jamais com os teus cortes e os meus cortes.

«Ó inocente» - esta apóstrofe é, como muitas das minhas, um espinho à leitura porque nos espreme de ignorância: a quem se dirigirá ele?! Serei eu? Será alguém que eu conheço?!

Quantas e quantas vezes ninguém escapa de vestir perfeitamente as minhas apóstrofes! Já fiz poemas duros dedicados a amigos que nem imaginam que lhos dediquei, esses poemas em que sangrei como um cordeiro sob o cutelo dos meus ressentimentos e sedes de ser compreendido e amado, sobretudo quando inexplicavelmente (talvez à medida que nos vamos tornando lúcidos e conscientes demais do que são e fazem os outros) a frieza e a distância se vão estabelecendo.

bjs

PALAVROSSAVRVS REX

leprechaun disse...

Acredito, sim... sou crédulo até ao fim!!! :)

Olha só que versinho ainda há pouco deixei lá naquele blog importante dos mais sábios:

- Espelho meu: Há alguém mais crédulo do que eu?
- Nem pensar! No mundo inteiro ninguém tão parvo apareceu!


Como vês, grosso motivo de orgulho ... liberta-te do entulho!

Olha, eu vinha publicitar o vídeo da cientista, mas talvez já o tenhas visto no Que Treta.

Assim, troco-o por uma musiquinha bem nice, que encontrei por acaso:

Funny van Dannen - Die Liebe

Ouve-a feliz e sorri...

Rui leprechaun

(...e gosta muito de TI! :))

Joaninha disse...

António,

Almas puras são um mito urbano ;) assim como "o fascinante universo feminino"

Perla,

Que bonito o que escreveste.

Josh,

A ti só te digo uma coisa, na mosca meu caro ;)

Gnomo,

Eu gosto mesmo muito de mim, não se nota?

antonio disse...

"Já fiz poemas duros dedicados a amigos que nem imaginam que lhos dediquei..." que buscas Josh?

Tudo se resume a um bater de asas de uma joaninha... sabes disso?

Krippmeister disse...

antónio, essa é uma visão um bocado minimalista das coisas.

É a mesma visão que a Apple tem dos ratos de computador, que são lindos mas não servem de muito.

Vieira Calado disse...

Principalmente os poetas (rs).
"o poeta é um fingedor..."
Bjs