segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O centenário do avô


(Jardim botânico do Palácio da Ajuda, recuperado pelo Professor depois de um furação em 1941)


Este fim de semana celebrou-se o centenário do meu avô, Prof. Francisco Caldeira Cabral.
Fiquei comovida com a presença dos seus alunos, Arquitecto Ribeiro Telles, Arquitecto Paulo Dentinho e todos os outros, ali estavam, apesar da idade, apesar do cansaço para condignamente celebrar o centenário do nascimento do seu mestre, que sem dúvida os marcou muito para alem da arquitectura. O lado humano do avô, do pai, do professor, estava ali, presente em todos aqueles que com ele privaram mais de perto. Todos eles o mencionaram, alunos, amigos, colegas de trabalho.
Ouvi histórias que nunca tinha ouvido, contadas por aqueles que trabalharam com ele, sobre o seu trabalho, sobre as suas viagens.
Ficou-me a história das pesetas e dos pobres de Madrid.

O avô era assim.

Quando, depois de ter dado 1 peseta a cada pobre que viu na rua, a sua aluna lhe perguntou, “e agora professor?
Ele sorriu e disse – Não te preocupes, o que não temos, não nos faz falta.

Estavam os filhos todos, todos eles dignos representantes daquele grande homem. Uma família unida pelo amor incondicional que aprenderam do pai, e que também pelo pai se manterá unida sempre.

Fui comovente, e encheu-me a alma.
Eu por mim digo, foi uma honra os anos em que pode conviver com ele, é uma honra conviver de perto com os seus filhos e é uma honra enorme ser sua neta.

Como dizia um dos seus alunos, era um homem luminoso, e homens como estes não devem, jamais, ser esquecidos.

19 comentários:

Krippmeister disse...

O jardim parece lindo. É algo vivo que ficou do teu avô, e que se vai manter por muitos anos, não será esquecido com certeza :)

Bela homenagem.

Pequito Romero disse...

Uma excelente intervenção, a avaliar pelo que consigo vislumbrar na imagem, para recordar a todos os vindouros que em tempos houve mão de um HOMEM a recuperar aquele jardim!

Pequito tem uma pergunta para a Joaninha!

Joaninha disse...

O jardim é lindo...

Já está o link para o site do Professor aqui no blog, quem estiver curioso em saber mais é só ir espreitar. Ainda é um site em construção, mas já tem bastante informaçao.

Beijos

antonio - o implume disse...

Pois parabéns à netinha que ajuda a perpetuar a sua memória.

Pequito Romero disse...

Menina?
Seria mais aceitável?

Sobre "el hombre" Camilo adianta Pequito que "o seu primeiro romance, «A Família de Pascual Duarte» (1942), destacou-se pela força de seu estilo e pela violência de seu argumento no apático âmbito literário dos anos 40, originando a moda passageira do "tremendismo".

Posteriormente, este autor distanciou-se do relato de crueldades com «Nuevas Andanzas y Desventuras de Lazarillo de Tormes» (1944) e «Pabellón de Reposo» (1945). Em 1948, publicou um esplêndido livro de viagens, «Viagem à Alcarria».

Nessa época, trabalhava numa de suas obras-primas, «A Colméia» (1951), visão desapaixonada sobre a miséria e a crueldade do pós-guerra por intermédio de um café e seus clientes.

Em «Mrs. Caldwell Fala com Seu Filho» (1953), aproximou-se da prosa poética e, em 1955, aceitou o desafio de escrever um romance venezuelano em «La Catira».

Após um longo período sem escrever novelas, regressa ao gênero com «São Camilo 1936» (1969), ousado monólogo com tons autobiográficos, que se refere ao dia da revolta em Julho de 1936.

O experimentalismo mais descontrolado deságua no satanismo obsessivo de «Ofício de Trevas 5» (1973). Passaram-se dez anos até o sucesso de «Mazurca para Dois Mortos» (1983), após o qual escreveu «Cristo Versus Arizona» (1988).

Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Literatura. Em 1994, recebeu também o Prêmio Planeta, com La Cruz de San Andrés e, nesse mesmo ano, foi agraciado com o Prêmio Cervantes".

Joaninha disse...

Pequito,

Menina? mmmm, que tal, Joana e não se fala mais no assunto ;)

Fica no meu "to read list".

O mais rapidamente possivel porque estou a ver que vou gostar do genero.

Gracias amigo!

beijos

Joaninha disse...

Obrigada António :)
beijos

Tiago R Cardoso disse...

gostei da imagem...

Um enorme prazer ver e ler alguém que perpetua assim o seu avô.

Excelente momento.

Perla disse...

Muito bem! Uma honra ser descendente duma pessoa assim!
Parabéns
Bjs

Salto-Alto disse...

Pelas fotos, o jardim é lindíssimo! E parece que o teu avô era mesmo uma pessoa especial!

Concordo com o Krippmeister, foi uma bela homenagem!

beijocas!

Carol disse...

E nunca será. Isso é mais do que evidente através das palavras que tu e a tua mana escrevem sobre ele.

Carol disse...

Ah, e o jardim é lindo!

Ninja! disse...

Só me ocorre pedir-te que desses os parabéns ao teu avô. O que seria engraçado: "O Ninja pediu para te dar os parabéns, avô!"

Seja como for, só por chegar a essa idade acho que já merece os parabéns de toda a gente. Só para começar, já aturou, pelo menos, mais um terço de má criadagem de alguns funcionários da loja do cidadão.

Krippmeister disse...

Só um pormenor.

"O avô era assim."

A homenagem foi a título póstumo.

António Inglês disse...

Olá Joaninha

Ao fim de tanta ausência cá venho visitá-la. Após esta postagem de homenagem a seu avô, percebo agora de onde vem essa veia toda minha amiga.
Não tive o privilégio de o ter conhecido pessoalmente, mas o legado que ele deixou não só aos lisboetas, como ao país foi suficiente para me habituar a ouvir falar inúmeras vezes em seu nome e na sua obra, no homem e nos princípios que defendeu.
Como adepto ferrenho do desporto, em particular do futebol, não podia desconhecer a quem se ficou a dever o projecto do Estádio Nacional, de que muito gosto e como tal já sabia que os projectos foram de seu avô. Creio que, também os projectos para o Parque Termal das Caldas da Rainha, bem perto de onde moro, e que frequento diariamente, terão sido de seu distinto avô.
A curiosidade levou-me a consultar alguma informação, após ter lido esta sua narrativa. Creio que estas palavras serão dele:

"A arquitectura paisagista é a arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem"

O Jardim Botânico, na Ajuda, é bem o exemplo disso, e quem não o conhece? Na minha juventude, belos passeios por lá dei, e sempre me maravilhei com ele. Aproveitei muitos deles para namorar (pouco relevante para o caso) mas continua a ser uma referência na arquitectura paisagística nacional e não só. O Jardim Botânico é visita obrigatória dos estrangeiros que nos visitam.

Conhecia muitas destas obras de seu avô, e agora, ainda mais fiquei a conhecer depois de me ter dedicado a consultar informação sobre a matéria, descobrindo tantas que bem conheço e não sabia serem projectos dele.
O que eu desconhecia de todo era que afinal tenho a honra de falar virtualmente com a neta de tão ilustre “Mestre”

Deixo-lhe um abraço de respeito e admiração.
António

Joaninha disse...

António,

São dele sim essas palavras que sita.

"Na minha juventude, belos passeios por lá dei, e sempre me maravilhei com ele. Aproveitei muitos deles para namorar (pouco relevante para o caso)"

Mentira, muito relevante para o caso, pois para ele era esse mesmo o intuito do projecto :). O jardim para namorar, para estar e para gozar plenamente, em comunhão com a natureza. Fico feliz, como tenho certeza ele ficaria.
Muito me honra a mim as suas palavras e o seu interesse.

Dificilmente poderei ser 1/3 daquilo que ele foi, tanto em termos profissionais como em termos humanos, mas se conseguir 1/3 já serei muito feliz :)

A honra é minha António, em falar não só com o descendente de Ilustres da Zona de Rio Maior, como com um Ilustre das nossas terras do norte :)

Um abraço meu caro amigo

alf disse...

Pessoas notáveis há, felizmente, muitas... a esmagadora maioria completamente anónima. Conhecermos uma pessoa dessas é óptimo, rasga os nossos horizontes. Dá-nos fé na Humanidade.

Sobretudo, ensina-nos que podemos atrevermo-nos a sermos nós próprios.

Maria Manuela disse...

Um enorme beijo para a neta de um grande Senhor.

Zica Cabral disse...

querida Joaneirinha adorei a homenagem que fizeste ao Avô. Tb fiz no meu blog ao melhor dos Pais e dos Homens. Como tu dizes e muitobem , tb pra mim foi uma honra e prazer conviver e aprender com ele,todos os anos que esteve conosco. E tive a sorte de nos ultimos 10 anos da sua vida ir vê-lo praticamente todos os dias e passar largas temporadas lá em casa .
Como filha mais nova foi um conhecimento de adulta mas tão proveitoso! Talvez mais do que em criança que praticamente nunca o via. Costuma telefonar-lhe sempre que tinha uma duvida sobre qualquer coisa e, ainda hoje sempre que vejo uma plantinha estranha (pelo menos para mim), ou sobre qualquer outro assunto, penso sempre que me poderia tirar as duvidas se ainda estivesse entre nós, como sempre fez.

beijinhos da tia Zica