sexta-feira, 29 de junho de 2007

Mãe



A pequena casca de noz enfrenta corajosamente as vagas e ventanias que se lhe abatem furiosas com o seu casco forte e duro, mantendo seco e salvo o pequeno ser imperfeito que dentro dela se aninha.
Mantêm a tona de água o quente do seu peito, que embora seguro não lhe parece capaz de manter seco o menino assustado que dela depende, para qual ela se esforça e se prende, amarrada ao bater do seu coração.
Balança o corpo de contra as ondas e aponta o peito á ventania, o caminho dele é por ali e é por ali que tem de ir, pelo meio das águas revoltas e das pedras negras do mar sem fim.
Por isso a casca de noz segue em frente, sem nunca lhe faltar o animo, mesmo quando o animo do seu menino já não passa de um ténue suspiro, sufocado no meio dom som dos trovões.
E quando a esperança se lhe morre e ele já não ouve nem vê, guia-se ela sozinha, não se deixando levar pela louca corrente nem pelos grito de desespero do seu menino descrente, assusta-se mas não se rende. Guia-o firme e forte, transformada em titânico barco, veleiro de grande porte, para os braços da pequena ilha e aguarda serena que ele volte um dia.
Enorme embarcação pequena que luta desvairada por aquela vida, que arranca ao mar uivos de raiva, que se vira louca á ventania, mas não deixa nunca que o seu menino perca o norte.
E quando ele volta ela ali está firme e potente, capaz de levar o menino em frente, capaz de ser o seu barco ou o seu guia, mesmo que ele se vá embora de novo, num repente, ela tem de o levar a bom porto, é urgente, para se o seu casco falhar, ou se a sua vela se romper no meio da violenta tempestade, o seu menino carente já esteja ancorado nas praias da felicidade.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

A colega dança?

Antigamente era de muito mau tom chamar alguém de colega.
Apenas a mui nobre classe dos advogados se tratava e só entre eles por exmo colega e mesmo assim sempre com o exmo, não fosse o “colega” achar que se lhe estava a chamar nomes.
E isto porque o mundo em que se movem estes digníssimos senhores é mesmo um mundo de “colegas”

A outra mui nobre classe que, e diz-se, utilizava tal designação era as meninas, aquelas que estão paradinhas na esquina e que satisfazem os apetites de certos e determinados cavalheiros com falta de arte para as lides do amor.

Pois hoje em dia é uma maravilha, somo todos colegas.

Vou ao banco:
-Bom dia, gostaria de falar com a Senhora Dona Italvina Morais.

Resposta.
-A colega está a atender um tefonema (tefonema não é erro é mesmo como elas dizem.)
Se quiser aguardar...

-É só para deixar um envelope com uns documentos, penso que o Senhor Dr Bilobo telefonou a avisar que eu passaria por cá.

-Sim o seu colega tefonou sim!


Telefono para a EDP
-Boa tarde gostaria de falar com a Srª Dª Paulina Bilrro

Resposta:
-Quem?

Respondo a bufar.
-A sua colega Paulina Bilrro.

Resposta
- Sim, um momento que vou passar á colega.

Aguardo.
Ouço do outro lado.
-Desculpe mas a colega foi almeçar (mais uma vez almeçar não é erro!!)

Enfim e isto para qualquer local para onde se telefone ou se vá, desde escritórios de advogados a linhas de atendimento tipo TVcabo, bancos e outros que tais.

Para pior só quando rematam com a seguinte frase:

- A Dona Joana quer deixar recado?

Dá-me logo vontade de dizer:
Olhe minha senhora, colegas são as p**** e Dona sou do meu cão!!!!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Vitórias

"Things won are done; Joy's soul lies in the doing."

William Shakespeare - Troilus and Cressida; Act 1 Scene 2

Foi a minha mais dificil leitura em inglês, nunca mais li nada dele apenas pela dificuldade de ler em inglês tão antigo e não pela qualidade da obra, que é, como seria de esperar brilhante.
Para quem tem paciencia e dicionario aconselho vivamente!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Sem...

"No pen, no ink, no table, no room, no time, no quiet, no inclination."
James Joyce

Somando-lhe
uma virose de estomago.

Bom fim de semana!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

A Avó Gabriela


Foste esculpida a cinzel
E pintada a fino pincel.
E tudo o que és faz parte,
De uma pensada obra de arte.

Foste feita com puro mel
Temperada com pimenta quente.
E tudo o que és é a arte,
Da pensada obra parte.

Foste apurada ao calor,
E aquecida em banho amor.
E como artista espalhas-te
em outras sete obras de arte