terça-feira, 10 de junho de 2008

"a população mundial aumenta exponencialmente de dia para dia. Logo, a estupidez propaga-se melhor." G.Grass.

A população mundial aumenta exponencialmente de dia para dia. Logo a estupidez propaga-se melhor" G. Grass

As vezes as pessoas deixam-me pérolas de inspiração, neste caso a Karin.

Estou no fio da navalha, sem ter word e por isso a escrever sem corrector, como sou um bocadinho dislexica, provavelmente isto sairá cheio de erros, não se assustem faz tudo parte do charme :)

Pergunto-me será?
Faço eu parte da maquina propagadora de palavras de peito inchado convencidas por um génio que não existe?
Palavras que se pavoneiam vestidas com o mais fino traje, passeando pelo paço enquanto lhe gritam a palavra vai nua? Sob o manto de uma estupidez agraciada com estatuto de grande ideia.
Escrevo porque escrever me liberta de pesos inúteis, mas será que escrevo apenas palavras fúteis?
A estupidez substituiu o génio e aquilo que antes era apanágio dos intelectualmente iluminados está agora à mão de semear de qualquer um. Assim se propaga a estupidez em ritmo acelerado, acelerando ao ritmo do crescimento descontroladamente exponencial da população mundial, num disseminar de ideias ocas virulento, epidémico e alucinado. Num repente todos queremos ter "Sandálias de prata" e dizer "Sei lá". Renegando para o plano do incompreensível aqueles que realmente tem o que dizer em frente ao teclado sinistro que me assusta e me suga o suposto pouco, ínfimo talento que, dizem em tom carinhoso os meus pais, eu possuo.
É certo que das graças com que fui agraciada não estava contemplada a genialidade, apenas um modesto e honesto sufrivel talento para ler e sonhar com o dia em que as palavras de génio inspirem as minhas, sabendo à partida que tal não acontece.
Volta e meia perco a fé...Sim a fé, que um dia escreva uma frase que pese na alma de quem a lê, mantendo humilde a perspectiva de tocar apenas um, não necessito de mais.
O desalento é apenas o aviso à tripulação cansada que talvez tamanha façanha não seja alcançada, perante o senhor estupor tempo que se estende finito em frente, como estrada para lado nenhum.
Também a mim me assusta a ideia do facilmente legível, facilmente compreensível, demasiado acessível. Se um dia por culpa dos desígnios do universo esta população exponencialmente germinada for confrontada com a necessidade de resolver o menos legível, o menos compreensível, o menos acessível, teremos nós ainda génios renegados para o plano do incompreensível para nos ajudarem a pensar de novo?
Ou terá a humanidade o triste fim de morrer estúpida, por sua própria culpa?
E farei eu parte daqueles que morrerá sem um único pensamento iluminado, submergida alegremente na cultura do simples e fácil, das palavras pavão cobertas pelo manto colorido da estupidez exponencial?
Eu leio furiosa aqueles que não se embrutecem, aqueles que atiram contra o tsunami arrasador da estupidez o seu génio muro, barragem, na esperança de me escudar da onda inevitável da burrice internacional, mas as unhas já me partem e os dedos já me sangram e sinto-me ser arrastada pela inevitabilidade dos "Eu, Carolina" à medida que o desalento me suga o pouco, já gasto, usado e agastado suposto talento.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Desalento.

Há dias que nos sugam as palavras como os vampiros os preciosos líquidos vitais do corpo. Em que estar mudo em frente ao teclado parece mesmo o fim de tudo.
Estou muda em frente ao teclado, algo me suga a inspiração, deixando-me os dedos ansiosos pulando sobre as teclas furiosos, mas sem escrever uma única frase.
São sempre as mesmas maçadoras palavras monocordicamente tecladas com afinco mas sem rasgo, sem força...São como um canto belo, mas mal cantado, por uma cantora bêbada e desafinada.
Sugam-me as palavras, sugam-me o génio que não tenho, e de valer pouco passo a não valer nada.
Dá-me raiva, escrevo, apago, escrevo, não escrevo, escrevo nada, milhões de nadas em folhas em branco. Porque o branco é nada. E o nada é branco.
Não valer nada, não vale muito aos olhos dos outros mas vale muito aos meus desvalorizados olhos. Quero mais mas não tenho mais para dar, porque sempre tive pouco e o pouco que tinha acabei de o esgotar!
O melhor é desistir, o melhor é desistir...Mas não sei como.
Não quero mais saber, nem que me façam mais perguntas, quero só embrulhar-me no meu desalento e desaparecer. Mas agora me lembro, não posso, tenho tempo, não sei para que serve, mas o melhor é vive-lo sem grande arrependimento, afinal para que serve o estupor que se estende ainda que finito á minha frente?
Quer que o viva, então terei de o viver. Mas vive-lo seria bem mais fácil se não me sugasse de forma parasitaria o pouco de génio que tenho, e me desse menos uso à loucura de que sofro, não em silêncio, mas visível em toda a sua escarninha presença.
Fica dito, talvez de maneira tresloucada que estou inspiradoramente esgotada.
Não tenho culpa, a culpa é do momento no tempo em que escrevo, sem escrever grande coisa, tentando deixar em branco este pequeno desalento, tão desalinhado como as madeixa do cabelo despenteado do tempo com que fui, não muito justamente, presenteada.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

metallica - nothing else matters live (ao vivo)

Foi espantoso, foi enorme, foi simplesmente lindo!!!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ella Fitzgerald and Louis Armstrong in

E continuo chamando, não me parece que resista por muito mais tempo :)

Foi dificil postar esta música.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Verão


Continuo a chamar por ele :)