segunda-feira, 13 de abril de 2009

Apontamento

Tenho folhas de papel aos milhares e centenas de milhar de pensamentos, e no entanto os dois não se tocam, não se escrevem, não formam um corpo coeso. Não consigo que se esparramem no papel imaculado, que tão imaculadamente reflecte a luz branca cega do sol, coberto de nuvens cinza, de um dia tão perfeitamente de primavera.
O dia caminha lá fora, desenrolando-se como se espera, num dia normal, frio mas já mais morno de primavera.
As nuvens abrem buracos que mostram que o céu ainda é azul, não mudou de cor, e que o sol ainda aquece quando de nuvens grossas não padece. O vento sopra ligeiro e as árvores dizem-lhe Adeus com os ramos cobertos de rebentos verdes, prova provada da primavera, mesmo nos dias em que ela se esquece e deixa voltar o inverno frio, ainda assim menos frio do que era.
Então, procuro em entre os interregnos da nublusidade primaveril, um estética coerente para o derrame cerebral iminente das centenas de milhares de pensamentos que me ocorrem a cada momento, no entanto nada...As nuvem mantêm-se nos seus afazeres cobrindo e descobrindo o sol, como roupa vaporosa pelo vento batida, e eu no meio de pensamentos incoerentes vou traçando pequenas linhas nos milhares de folhas brancas.
Risco, rabisco, escrevinho, escrevo, faço notas de rodapé no livro de um determinado pensamento, se não o faço esqueço.
Leio, na horizontal, na vertical, na diagonal, hoje não é dia de criação, é dia olhar para dentro.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Agora é que eu já vi tudo!

Depois disto já nada me espanta!

(ando sem inspiração nenhuma e isso nota-se, não acham?)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Já vos disse que...


Que tenho uma Beagle?

Pois é, tenho...Cada vez mais compreendo o desespero do Charlie Brown :)
Mas é a coisa mai linda...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Criação....

No escuro, bem escuro o fundo do meu peito. Alimentei, deitada no meu leito, um sentido nebuloso ao meu tormento.
Atormentada a cada segundo pelo seu pérfido crescimento, mas incapaz de lhe cortar o destino, pelo menos naquele momento, deixei-o, escurecendo o sentido velado do meu sentimento.
No escuro, deitada no leito, ele cresceu arfante e gigantesco no meu peito, e eu deixei.
No leito, no escuro, eu via, eu sentia?
Tão bem o via e sentia, tão mimosamente o mimava, afagava com um certo carinho e muito medo do seu destino. Por muitas vezes ensandeci, embrulhada na sua ira, nas contracções dolorosas da furia devoradora da minha criação maligna.
Mas que podia eu fazer? Se ele era o meu menino.
O meu menino não é de Oiro, é de ódio feito, alimentado a quinino, mimado a preceito, com muito veneno e carinho!
O meu menino que embalei no peito, o meu menino perfeito, nunca ninguém descobrirá que é feito de pura maldade, que apenas se alimentou de crueldade, que é dessa sua natureza que lhe vem toda a genialidade.
No escuro, bem escuro no fundo do meu peito, alimento de novo um novo sentido escuro ao meu sentimento, dou de novo alento ao meu mais indigno e terrifico tormento.
Um novo menino me cresce no peito, rodopiando em mim aquando no silêncio do meu leito...